2022, ano de Oxumaré

2022, year of Oxumaré

Eu gostaria de fazer a minha primeira postagem do ano de 2022 falando da virada do ano em Paraty-RJ. Sim, no Xama teve chuva, lama, perrengue e tudo mais, mas algo aconteceu muito especial também e é sobre isso que eu quero escrever, mas sob uma outra perspectiva.

2022 é o ano de Oxumaré, serpente-arco-íris, recolhe as águas que caem na terra com a chuva e as leva de volta para as nuvens. Mas mais do que isso, ele é múltiplo, feminino e masculino juntos, ele é o orixá da transformação, do movimento constante.

Eis que, depois de todo aquele caos que foi a virada, com chuva e muita lama (obrigada galochas por me salvarem), eu decidi tomar um banho de mar. Filhinha de Iemajá que sou, tento manter essa tradição para de alguma forma renovar literalmente minhas energias na virada do ano. E eu olho do mar para a terra: aquele verde de mata atlântica que só Paraty tem, junto com as rochas lindas, duras, aquele céu cheio de nuvens entre o azul e branco, formando caminhos para onde estava mais claro, a música tocando alta e no meio daquele lamaçal, muita gente dançando alegres… Alguma coisa clicou ali e eu não entendi bem o que foi.

Saio do mar e conheci uma mulher que entre o grupo de amigos falou “algo foi transformado aqui em Paraty” e de repente mais alguém estava sentindo o que eu estava sentindo.

Eu fui ler, como CDF que sou, li sobre Nanã que é a orixá dos lamaçais e portanto a mãe de todos os seres, foi através da lama do pantano que se fez o mundo. Iemanjá, Rainha das Águas Salgadas, mãe de quase todos os orixás e Oxumaré, o orixá androgeno (hora feminino, hora masculino) que representa a transformação.

Que dança foi essa que aconteceu ali? São muitas forças poderosas se entrelaçando na nossa frente, mudando algo, transformando algo, mas o que?

Eu venho sentindo que 2022 será um ano de transformação: ou a gente se deixa levar pelas águas e abraça o caos para transformarmos em algo melhor, ou vamos viver num eterno caos até a lama dos prender.

Será um ano intenso, não tenhamos dúvidas. E cada vez mais abraço a minha espiritualidade para além de grupos, na conexão mais importante que há: eu com minha alma — e de olho na natureza, sempre.

Paraty-RJ . Brasil . 2022

🇬🇧

I would like to make my first post of 2022 talking about my NYE in Paraty-RJ. Yes, at Xama there was rain, mud, ‘perrengue’ and everything else, but something very special also happened and that’s what I want to write about, but through another perspective.

2022 is the year of Oxumaré, the rainbow serpent, who collects water that falls into the earth with the rain and takes it back to the clouds. But more than that, he is multiple, feminine and masculine together, he is the orixá of transformation, of constant movement.

Behold, after all that chaos that was NYE, with rain and a lot of mud (thanks my boots for saving me), I decided to go into the sea. Iemajá’s daughter that I am, I try to keep this tradition in order to somehow, literally, renew my energies at NYE. Suddenly I looked from the sea to the land: that green from the Atlantic forest that only Paraty has, along with the beautiful, hard rocks, that sky full of clouds between blue and white, forming paths to where it was clearer, the music playing loud and in the middle of that mud, lots of people dancing, happily… Something clicked there and I didn’t quite understand what it was.

I left the sea and met a woman who among my group of friends said “something was transformed here in Paraty” and suddenly someone else was feeling like me.

When I got back to São Paulo I started to read about orixás again. I read about Nanã who is the orixá of the mudflats and therefore the mother of all beings, it was through the mud of the swamp that the world was made. Iemanjá, queen of the ocean waters, mother of almost all orixás and Oxumaré, the androgynous orixá (female and male at the same time) that represents transformation.

What was this dance that took place there? There are many powerful forces intertwining in front of us, changing something, transforming something, but what?

I have been feeling that 2022 will be a year of transformation: either we let ourselves be carried away by the waters and embrace chaos to transform into something better, or we will live in eternal chaos until the mud traps us.

It will be an intense year, no doubt about it. And I increasingly embrace my spirituality beyond groups, in the most important connection there is: me with my soul — and with an eye on nature, always.

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Dayse Bispo Silva

Psychologist (CRP06/97946), PhD Social Psychology, Life Coach and Professor at PUC-SP