Saúde Mental sim, mas não apenas em Janeiro (🇧🇷/🇬🇧)

🇧🇷

Venho escrevendo o quanto eu sinto que este ano será um ano intenso e de transformações. Escrevi em um dos meus textos que a melhor forma de vivermos o caos é abraçando-o e dizendo “mostre-me o que tenho que aprender e mudar”.

Eu venho de uma formação acadêmica bem crítica, e talvez minha principal referência para construir um pensamento crítico sobre as coisas venha do Foucault. A começar pelo entendimento de que não existem verdades universais, que tudo é uma construção histórica e que todas as relações são relações de poder.

Partindo desse referencial, quando vejo a campanha “Janeiro Branco” várias críticas me atravessam imediatamente. A primeira é esse modo das campanhas serem mensais e terem cores. Essa discussão está muito presente nos influencers LGBTQIA+ e pretos que refletem sobre a visibilidade desses grupos apenas nos meses de campanha, tornando todo seu propósito superficial. É claro que eu sinto uma mudança significativa de mudança de comportamento a partir da exposição dessas grandes pautas, é inegável isso. A segunda é a escolha equivocada da cor branca, num momento em que ainda estamos pautando o quanto o racismo no Brasil é estrutural e muitas vezes não percebido/questionado.

A pandemia do coronavírus escancarou a importância de cuidarmos da nossa saúde mental, seja no âmbito do autocuidado, seja para buscar tratamento psicológico. Tanto que eu mesma voltei a atender nesse período, depois de quase 4 anos dedicada apenas como gerente de um serviço de saúde mental.

Hoje podemos falar sobre terapia psicológica nos âmbitos individual, familiar, social e até empresarial sem carregar um peso de preconceito de que “só faz terapia quem tem problema psicológico” (quantas vezes eu escutei isso…).

Que bom que podemos falar sobre isso!

Saúde Mental, apesar de ser comumente associada ao plano psíquico de existência, é um conceito muito mais amplo, que envolve desde condições básicas de direitos cidadãos assegurados à cuidados específicos para pessoas com sofrimento intenso/crônico provocado por algum transtorno mental. Cuidado com as campanhas que a colocam como responsabilidade individual.

Saúde Mental tem a ver com políticas públicas bem executadas, combate à desigualdade social, combate à violência estatal e suas diversas formas de opressão, é colocar como atravessador de cuidado a discussão do movimento anti-racista e feminista. Colocar tudo na ordem do “psíquico” é criar ilhas terapêuticas que não conversam com a sociedade, muitas das vezes produtora desses sofrimentos.

Eu venho desenvolvendo um trabalho que foca no cuidado com o presente e suas múltiplas possibilidades e cada sujeito tem o seu projeto de vida, que por vezes vai demandar um olhar mais curativo com o passado ou um olhar claro para o futuro. Aprendendo a lidar com as adversidades da vida, buscando conexões e encontros na nossa existência mais alegres que tristes.

Cada pessoa tem a sua jornada e meu papel como psicóloga é ajudá-la a encontrar seu caminho de uma forma emocionalmente saudável.

Vamos sim falar de saúde mental, mas não apenas em Janeiro.

Let’s talk about Mental Health, but not just in January (🇧🇷/🇬🇧)

🇬🇧

I’ve been writing about how much I’m feeling that this year will be an intense and a life-changing year. I wrote in one of my texts that the best way to live chaos is to embrace it and say ‘show me what I have to learn and change’.

I had a very critical academic background, and perhaps my main reference for building my critical thinking comes from Foucault. Starting with the understanding that there aren’t universal truths, that everything is a historical construction and that all relationships are based on power.

From this point of view, when I see the ‘White January’ campaign, several criticisms cross me immediately. First, is this way of campaigns being monthly and having colors. This discussion is very present in LGBTQIA+ and black influencers who reflect on the visibility of these groups only in the campaign months, making their entire purpose superficial. Of course, we can notice a significant behavior change from the exposure of these great agendas, this is undeniable. Second, it’s the wrong choice of white color, at a time when we are still showing how much racism in Brazil is structural and often unnoticed/unquestioned.

The coronavirus pandemic has opened up the importance of our mental health, whether in the context of self-care or to seek psychological treatment. So much so that I myself returned to assist in this period, after almost 4 years dedicated only as a manager of a mental health service.

Today we can talk about psychological therapy at the individual, family, social and even business levels without carrying a weight of prejudice that “only people with psychological problems go to therapy” (how many times have I heard that…).

I’m glad we can talk about this today!

Mental Health, despite being commonly associated with the psychic level of existence, is a much broader concept, which ranges from basic conditions of guaranteed citizen rights to specific care for those who have intense/chronic suffering caused by some mental disorder. Beware of campaigns that place it as an individual responsibility.

Mental Health has to do with well-executed public policies, combating social inequality, combating state violence and its various forms of oppression, and placing as a care the discussion of the anti-racist and feminist movement. Putting everything in the “psychic” order is creating therapeutic islands that do not talk to our society, which often produces these sufferings.

I have been developing a work that focuses on caring for the present and its multiple possibilities and each person has their own life project, which sometimes will require a more curative look at the past or a clear look at the future. Learning to deal with life’s adversities, looking for connections and encounters that make our living are more joyful than sad.

Every person has their own journey and my role as a psychologist is to help them find their way in an emotionally healthy way.

Let’s talk about mental health, but not just in January.

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Psychologist (CRP06/97946), PhD Social Psychology, Life Coach and Professor at PUC-SP

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Dayse Bispo Silva

Dayse Bispo Silva

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Psychologist (CRP06/97946), PhD Social Psychology, Life Coach and Professor at PUC-SP